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Não trate como robô quem cuida da qualidade com amor

Não trate como robô quem cuida da qualidade com amor

Existe um ser humano cuidando da qualidade da sua aplicação

Mãos dadas (Foto tirada do ângulo de cima)
Foto de fauxels no Pexels.

Os fatores humanos podem influenciar diretamente na qualidade de software, causando impactos que podem ser determinantes para o sucesso do time. Sabemos que os softwares são desenvolvidos por pessoas, portanto é importante fazer com que todos se mantenham motivados e não pressionados para que a equipe esteja, na maior parte do tempo, em harmonia.

A seguir, veremos quais os pontos que podemos observar e assim ter uma relação cada vez mais saudável dentro do time e assim gerar impacto de grande valor, melhorando o engajamento do time.

“Pessoas não são recursos” — Grazi Mendes

Atualmente, nota-se que algumas organizações estão começando a entender o que esta frase quer dizer, principalmente neste período tão complicado de isolamento social*.

Cada vez mais as empresas estão humanizando seus processos internos desde o recrutamento e tudo isso com o intuito de deixar a pessoa cada vez mais à vontade. Dessa forma, ela se sente mais confortável para produzir e agregar cada vez mais ao time.

Talvez você se pergunte: “Mas o que isso tem a ver com qualidade de software?” E eu respondo: “Absolutamente tudo a ver!” Ao longo deste post vamos observar esta relação. Vamos lá?!

O exercício da empatia

Como mencionei na introdução, softwares são desenvolvidos por pessoas. Isso inclui: diferentes formas de pensar, manias, emoções, entre outros aspectos que fazem parte da nossa personalidade. Portanto, um dos fatores que contribuem para um ambiente saudável e harmonioso é o exercício da empatia (ato de colocar-se no lugar do outro, sentindo sua dor).

Quando entendemos o que isso quer dizer e colocamos em prática, passamos a desenvolver relacionamentos saudáveis com aqueles que convivem diariamente conosco. Isso não quer dizer que tudo sempre será “peace and love” e nunca haverão divergências, mas a questão é como a liderança e a equipe lida com estes momentos de divergência, o que é determinante para o sucesso (ou insucesso) do projeto.

“Certamente haverão conflitos em alguns momentos, onde ideias não serão congruentes, e para isso devemos ter maturidade suficiente para ouvirmos uns aos outros e decidir o melhor para o conjunto.” **

Complexidade: Uma característica comum do ser humano

Somos seres únicos e complexos! Cada um de nós possui um conjunto de valores e crenças que norteiam nossa maneira de pensar e agir. Quando ignoramos esta característica e tratamos as pessoas sem considerar sua singularidade e perspectiva, tendemos a cada vez mais nos distanciarmos delas e comprometermos nosso relacionamento, trazendo consequências para todo o time.

 

A partir do momento que nos dedicamos a conhecer as pessoas como elas são, podemos estabelecer um relacionamento saudável, sabendo o momento em que e como podemos nos reportar a elas. Em um ambiente organizacional cada um deve assumir sua responsabilidade e desempenhar seu trabalho no time, porém quando conhecemos as pessoas que estão “por trás dos crachás” a responsabilidade não deve ser confundida com pressão desnecessária.

“(…) a partir do momento que passamos a tratar as pessoas apenas como um recurso (meio) para obter um software em produção (fim) há desgastes, desmotivação e qualquer que seja o projeto, ele não prosperará.” **

Sabemos que é muito difícil ter engajamento ou até o surgimento de novas ideias em um time no qual as pessoas encontram-se desmotivadas por alguma razão interna ou externa ao trabalho. Estes fatores influenciam ao ponto de refletirem na qualidade de software.

 

Impactos na qualidade de software e sobre o negócio

 

Conversando com alguns colegas, eles relataram uma ocasião onde o desenvolvimento de uma funcionalidade para validação de um campo de formulário durou mais de 15 dias, por conta das inconsistências que eram frequentemente apontadas pelo time de testes.

Um dos fatores que ocasionou esta situação foi o cansaço que a equipe enfrentava ao trabalhar várias horas seguidas nesta funcionalidade.

 

Eles também apontaram que o fato de viver em um ambiente onde se sentem pressionados a trabalhar fora do horário (tanto no período da noite como nos finais de semana) contribui para que situações como essas sejam cada vez mais frequentes (SANDHOF. 2004, p.158).

 

Ainda foi mencionado a baixa confiança sobre o que foi desenvolvido e que as entregas sempre atrasam em virtude de outras situações semelhantes as que foram mencionadas anteriormente, causando impacto sobre o negócio.

 

Quando situações como estas são ignoradas e os membros do time não são ouvidos, a tendência é de que cada vez mais a aplicação traga consigo mais “dores de cabeça” e apresente grande risco ao negócio por conta das inúmeras inconsistências e atrasos constantes.

 

Poderíamos enumerar várias situações e pontos que refletiriam na qualidade do software que está sendo construído. Por isso, mais do que estabelecer e cobrar metas, é muito importante conhecer a sua equipe e saber o quanto o ambiente de trabalho os deixa confortáveis.

 

Algumas dicas para estimular o engajamento e a motivação

 

Conforme descrito por SANDHOF (2004, p. 159), características humanas como: imprevisibilidade, fragilidade e ambiguidade têm influência direta sobre os resultados de uma empresa.

Por isso, a empresa deve se preocupar com a qualidade de vida e condições de trabalho dos seus colaboradores a fim de maximizar a qualidade do processo e consequentemente da aplicação.

Gostaria de compartilhar algumas atitudes que não apenas líderes, mas qualquer membro da equipe pode — e deve — ter com seus companheiros de time:

 

 

  • Elogiar em público;
  • Sempre mencionar que alguém ajudou em algo, mesmo que a pessoa diga que sua contribuição foi mínima (isso aumenta o senso de que precisamos uns dos outros);
  • Antes de fazer alguma crítica, buscar entender a razão que levou a pessoa a agir daquela forma.
 

 

 

Aos liderados, uma dica: não permitam que o líder conduza a equipe sozinho! Ajudem-no! Lembrem-se que apesar de responder pela equipe, ele não detém todo o conhecimento.
 
Portanto, quando tiverem alguma ideia compartilhem explicando qual objetivo da sugestão e qual problema ela busca sanar. Atitudes como estas demonstram que o líder não precisa (nem deve) caminhar sozinho e o time estará colaborando para o exercício da liderança.

 

 

“Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá acompanhado” — Provérbio Africano

“(…)acreditamos que dentre todos os fatores que podem determinar o sucesso no processo de qualidade de software, o mais importante é o fator humano. Que possamos cuidar uns dos outros sempre exercendo a empatia.” **


* Este artigo foi escrito durante o período da pandemia do COVID-19

** Trechos do post que escrevi na @Qualytest (Instagram)


Colaboração e revisão: Paulo Oliveira, Gabriel Santos e Júlio de Lima.


Referências:

Aprenda em 3 minutos a escrever seu primeiro post (Júlio de Lima)


Karen Sandhof – Fatores Humanos no Processo de Desenvolvimento de Software: Um Estudo Visando Qualidade


Pessoas não são recursos, bater meta não é competência (ThoughtWorks Brasil)


Pessoas não são recursos (Grazi Mendes)